
A CPMI do INSS vota 18 requerimentos nesta quinta-feira (5), a partir das 9h. Entre eles, o que pede as quebras de sigilo bancário e fiscal de empresas como a J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em razão do repasse de recursos a empresa ligada a Danilo Trento, investigado por suposta participação nas fraudes contra a Previdência. A pauta contém ainda pedidos de convocação como a do presidente da J&F, José Antonio Batista Costa, e de Fabiano Zettel, empresário e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Já na segunda parte da reunião, serão colhidos os depoimentos do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e o advogado Cecílio Galvão.
O relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), autor do pedido para quebras de sigilos da J&F ( REQ 3.138/2026 ) e convocação do presidente do grupo ( REQ 3.139/2026 ), aponta que documentos obtidos pela comissão indicam que empresas ligadas a Danilo Berndt Trento, investigado pelas fraudes contra aposentados e pensionistas, receberam mais de R$ 36,5 milhões da J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A pauta inclui também quebras de sigilo bancário e fiscal e solicitações de relatórios de inteligência financeira, como da J&F Participações. Além disso, há o mesmo pedido referente à esposa de Danilo Trento, Carolina Cardoso Trento ( REQ 3.133/2026 ) e de Letícia Caetano dos Reis ( REQ 3.000/2026 ). Esta última, segundo o requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correa (PT-MG), seria administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia e é também irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado no relatório da Polícia Federal como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está preso é e um dos principais nomes investigados pelas fraudes nas aposentadorias do INSS.
Além disso, os parlamentares podem votar pedidos de representação por prisão preventiva de Tonia Andrea Inocentini Galleti e Milton Baptista de Souza Filho, ambos ligados ao Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi).
Também há requerimentos para investigar possível conexão entre os mecanismos de fraude nos benefícios do INSS com o caso do Banco Master. Por isso, os deputados Alencar Santana (PT-SP) e Duarte Jr. pediram as convocações do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa ( REQ 2.755/2025 ) e do cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Fabiano Zettel ( REQ 2.681/2025 e REQ 3.044/2026 ). Vorcaro e Zettel voltaram a ser presos esta manhã, em nova operação da Polícia Federal, que investiga as fraudes do Banco Master.
Na segunda fase da reunião desta quinta-feira senadores e deputados ouvirão o depoimento do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e do advogado Cecílio Galvão.
As duas convocações atendem aos requerimentos apresentados por Alfredo Gaspar e pelos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Viana (PSD-MG), presidente da CPMI. Eles alegam que a Dataprev passou a ser alvo de questionamentos relacionados a falhas operacionais e, sobretudo, a vulnerabilidades na área de segurança cibernética. O objetivo é tratar das medidas de proteção dos dados dos cidadãos, principalmente relacionados aos beneficiários do INSS, e do fortalecimento da governança digital previdenciária. Além disso, os parlamentares querem discutir as falhas recorrentes da plataforma Meu INSS.
Já em relação a Cecílio Galvão, Alfredo Gaspar cita reportagens apontando que o advogado teria recebido cerca de R$ 4 milhões de associações de aposentados investigadas por descontos indevidos em benefícios do INSS, supostamente pela intermediação de acordos que permitiam a cobrança de mensalidades diretamente na folha dos beneficiários.
Segundo o relator, embora não seja alvo direto da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, Galvão foi citado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações financeiras atípicas e também aparece ligado à consultoria que recomendou investimentos de fundos de previdência no Banco Master, investigado por fraudes bilionárias.
O advogado foi convocado para esclarecer a natureza desses contratos, os critérios de remuneração, possíveis práticas de lobby junto ao INSS e eventuais vínculos com autoridades e dirigentes envolvidos no caso.
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