
O mercado da construção civil brasileiro tem passado por mudanças para atender às metas globais de preservação. De acordo com o Conselho de Edifícios Verdes dos Estados Unidos (US Green Building Council), o país ocupava, em 2024, a nona posição no ranking mundial de edificações sustentáveis. Com mais de 530 projetos certificados pelo selo LEED, o país lidera o setor na América Latina. Além do ganho ambiental, a estratégia também traz retorno financeiro. Um estudo da Universidade de Harvard mostra que prédios inteligentes geraram US$ 6 bilhões em economia com saúde e redução de danos climáticos.
Segundo o vice-presidente da área das Incorporadoras da CMI/Secovi-MG (Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais), Fabiano Barbosa Ambrósio, as incorporadoras mineiras evoluíram de maneira consistente na pauta de sustentabilidade. "Hoje já é comum encontrar projetos com soluções, como eficiência energética, redução de consumo de água com sistemas de reúso, uso de iluminação e ventilação naturais, além da busca pelas principais certificações e selos de construção sustentável", explica.
O especialista define que as práticas sustentáveis têm um impacto ainda maior ao serem integradas desde a concepção dos projetos. "Quando a sustentabilidade entra desde o início, os ganhos são concretos: reduções relevantes no consumo de energia e água ao longo da operação, menor custo condominial, maior conforto térmico e melhor desempenho do edifício. Isso se traduz diretamente em valor, tanto na percepção do cliente quanto na velocidade de vendas e na valorização do ativo", destaca Ambrósio.
Integração com a natureza e inovação técnica
A Construtora EPO, especializada em imóveis de alto padrão, foca na integração entre o ambiente urbano e a natureza. No Residencial Botânico, situado no Vale do Sereno, em Nova Lima, a empresa materializou esse conceito em parceria com o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados.
O projeto elimina barreiras físicas tradicionais para priorizar a conexão sensorial com a mata. "Criamos um empreendimento sem muros, fluido e integrado à cidade. Ele reafirma nosso compromisso com a sustentabilidade ao promover um estilo de vida conectado ao ecossistema local", ressalta Guilherme Santos, diretor da EPO. O design favorece a ventilação cruzada e a iluminação natural, o que reduz a dependência de climatização artificial.
Já no edifício Jardim, no bairro Cidade Jardim, o projeto utiliza o aço XCarb, da ArcelorMittal, fabricado com 100% de matéria-prima reciclada e energia renovável. Essa escolha resultará na redução de 319 toneladas de emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Certificação global
No ano em que celebra 50 anos de atuação no mercado de alto padrão, a Somattos Engenharia destaca o Residencial Aura. Localizado no Vila da Serra, em Nova Lima, o empreendimento conquistou recentemente a certificação EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), concedida pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial.
O selo é um reconhecimento ao projeto, que atingiu reduções superiores a 20% no consumo de energia e água, além de utilizar materiais com menor energia incorporada em sua produção. "A conquista desse selo foi possível por meio de um diagnóstico técnico aprofundado, reengenharia de soluções construtivas e otimização de sistemas. O resultado é um projeto que combina conforto e valorização imobiliária a um menor impacto ambiental, alinhado às melhores práticas globais", comenta Bárbara Valenzuela, coordenadora de projeto executivo da Somattos.
Sustentabilidade e impacto social
A Emccamp Residencial tem estruturado a atuação em sustentabilidade a partir de práticas que integram gestão ambiental, inovação nos canteiros de obras e relacionamento com as comunidades do entorno. A empresa conquistou o Selo Casa Azul, certificação que reconhece iniciativas voltadas à sustentabilidade, eficiência energética e responsabilidade social, garantindo maior qualidade, economia e respeito ao meio ambiente, com foco especial na gestão de água e energia.
A companhia adota medidas como substituição de madeira por formas de concreto, uso de materiais reciclados, implantação de sistemas de reaproveitamento de água da chuva nos empreendimentos, além de exigir regularidade ambiental de fornecedores. "A sustentabilidade não está apenas em nossos canteiros de obras, mas se estende à forma como planejamos nossos produtos, gerimos recursos e lidamos com a comunidade e o entorno", comenta Diego Pascoal, coordenador de Meio Ambiente da Emccamp.
Outro ponto é a incorporação de soluções sustentáveis nos próprios empreendimentos, como implantação de projetos com desempenho sustentável, áreas permeáveis, hortas comunitárias, coleta seletiva e estações de tratamento de esgoto em regiões sem infraestrutura pública. A empresa também tem avançado na redução de emissões com iniciativas como a adoção de frota movida a etanol e a digitalização de processos.
Planejamento e estratégia
O arquiteto e urbanista Alexandre Nagazawa, diretor da Bloc Arquitetura Imobiliária, afirma que a construção civil brasileira tem evoluído significativamente em relação à sustentabilidade. "Hoje já observamos avanços importantes, como projetos com melhor desempenho energético, maior uso de energia solar e certificações ambientais. Existe uma atenção crescente à gestão da água, dos resíduos e uma preocupação real com o conforto ambiental e a qualidade de vida de quem ocupa os espaços", pontua.
Nagazawa explica que a eficiência de um prédio, além do uso de materiais sustentáveis e da gestão de resíduos das construtoras, começa no desenho da torre. "Ao planejar a posição do edifício para aproveitar o sol e o vento, o projetista reduz a necessidade de luz artificial e de ar-condicionado. As decisões tomadas hoje nos canteiros de obras definem a qualidade e a resiliência da cidade nas próximas décadas", analisa.
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