
Trindade recebe, no sábado, 11 de abril, às 20h, no Teatro Desencanto, uma apresentação gratuita do espetáculo Vida de Negro, montagem que reúne dança, teatro e música para abordar memória, ancestralidade e identidade afro-brasileira. A sessão integra um processo artístico desenvolvido no município, com elenco majoritariamente formado por jovens do interior goiano. Cerca de 300 ingressos foram disponibilizados para esta primeira apresentação e podem ser reservados online pelo site do projeto.
De acordo com a equipe do projeto, a montagem foi estruturada a partir de pesquisa teórico-vivencial, criação colaborativa e ensaios técnicos e artísticos realizados em Trindade. A proposta parte da valorização das matrizes afro-brasileiras presentes no território e busca transformá-las em linguagem cênica acessível ao público local, em uma cidade marcada por forte circulação cultural e religiosa.
A diretora-geral do espetáculo, Romilda Aparecida, afirma que a apresentação foi pensada como um gesto de reconhecimento cultural e de permanência simbólica. "Levar esse espetáculo ao palco, com entrada gratuita, significa afirmar que a cultura afro-brasileira ocupa um lugar central na formação do território e merece ser vista com dignidade, estudo e continuidade", diz.
Romilda ressalta, ainda, que a iniciativa também se insere em uma discussão mais ampla sobre representação e acesso. "Nosso trabalho pretende ampliar a visibilidade de referências negras no cenário cultural local, além de estimular a contratação de profissionais da própria comunidade e fortalecer a economia criativa do município", enfatiza a diretora.
Diálogos e trajetóriasNa avaliação de Amarildo Jacinto, coordenador de elenco e mestre da Cultura Popular em Teatro, a dimensão coletiva da obra é um de seus pontos centrais. "Há um esforço para reunir memória, corpo e experiência comunitária em cena. Não se trata apenas de uma apresentação artística, mas de um trabalho que dialoga com trajetórias, pertencimentos e saberes que atravessam gerações", salienta.
Rodrigo Cunha, coordenador artístico, observa que a montagem procura traduzir essa herança em linguagem contemporânea. "A cena foi construída para aproximar tradição e criação atual, sem romper com a origem desses repertórios. O resultado busca comunicar identidade, resistência e beleza de forma acessível e pública", informa.
Simbolismo em cada cenaA cenógrafa Marilene Barbosa de Souza destaca que a concepção visual acompanha esse mesmo princípio. "A cenografia procura criar um ambiente de evocação simbólica, em que a imagem não ilustre apenas a narrativa, mas contribua para situar o público dentro de uma experiência de memória e território", acrescenta.
Já o coordenador de comunicação do espetáculo Vida de Negro, Inã Zoé, pondera que a circulação de obras com esse perfil ajuda a ampliar o debate público. "Quando uma produção local coloca em primeiro plano a ancestralidade negra e o faz em espaço aberto à comunidade, ela contribui para qualificar a conversa sobre patrimônio, pertencimento e direito à cultura", considera.
Segundo o secretário municipal de Turismo e Cultura de Trindade, Warley Lopes, ações desse tipo têm relevância pública por combinar formação simbólica e acesso gratuito. "Projetos com esse perfil reforçam a importância de políticas culturais descentralizadas, capazes de alcançar a população no próprio território e valorizar expressões historicamente sub-representadas", declara.
Acessibilidade e formaçãoDe acordo com a equipe do projeto, a apresentação contará, ainda, com medidas de acessibilidade, entre elas intérprete de Libras, materiais de comunicação adaptados, assentos prioritários e estrutura voltada ao acolhimento de pessoas com mobilidade reduzida.
O projeto prevê, na sequência, desdobramentos educativos e comunitários, como uma oficina gratuita posterior à estreia, dedicada a ritmos e corporeidades afro-brasileiras. "Embora a atividade ocorra em outro momento, ela ajuda a dimensionar o caráter formativo da iniciativa e o interesse em ampliar o acesso para além do espetáculo em si", revela Romilda Aparecida.
Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. No caso da apresentação do sábado, a expectativa da equipe é de que a sessão gratuita contribua para reafirmar o teatro como espaço de encontro, memória e circulação de referências negras em Trindade.
Arte Coleção “Bailarinas” de Gaby Alves estreia em abril
Arte Florianópolis ganha sua primeira praça artística
Arte Projeto une economia, movimentação e arte em escadas