
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) registrou, em 2025, o maior volume de recuperação de créditos da dívida ativa da União já contabilizado. Segundo o balanço oficial "PGFN em Números 2026", o órgão recuperou R$ 68,1 bilhões no período, superando em R$ 8 bilhões o resultado de 2024. Dentro desse ecossistema de cobrança, a plataforma COMPREI foi responsável pela geração de R$ 318,3 milhões com a venda de 450 imóveis ao longo do ano.
Criada pela Portaria PGFN nº 3.050/2022, a plataforma substituiu o modelo tradicional de leilões judiciais por um formato de venda direta. O ambiente digital permite que bens imóveis penhorados em execuções fiscais ou oferecidos em acordos sejam negociados por meio de leiloeiros oficiais e corretores credenciados. Apenas em 2025, a PGFN publicou 23 editais de intimação para venda judicial de bens, contra seis editais em todo o ano de 2024. Para 2026, a expectativa é ainda maior.
Para Gian Braggio, Leiloeiro Público Oficial, a transição para a plataforma representa uma mudança estrutural na forma como a União lida com seus ativos. O especialista analisa que a modernização do formato funciona como um marketplace, mas mantém a segurança jurídica da venda judicial, atraindo capital qualificado.
A consolidação do sistema ocorre em um momento de franca expansão do mercado de leilões e de recuperação de ativos no Brasil. Refletindo esse cenário de oportunidades, levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), com base em dados do Banco Central, aponta que o estoque de imóveis retomados por instituições financeiras atingiu R$ 79 bilhões, o maior nível em quatro anos, com crescimento de 150% desde 2022. Esse volume de ativos disponíveis encontra um cenário macroeconômico de juros altos, com a taxa Selic reduzida para 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em março de 2026.
O formato de venda direta permite a aquisição de imóveis pelo valor de avaliação, com a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado em até 60 meses, exigindo uma entrada mínima de 25%, conforme portarias atualizadas da PGFN.
Além da venda direta, o sistema tem funcionado como um mecanismo de pressão para a regularização de débitos. De acordo com a PGFN, a iminência da venda de bens cadastrados resultou na regularização de R$ 3,4 bilhões em 2025, fruto de negociações diretas com contribuintes que optaram por quitar ou parcelar dívidas para evitar a perda do patrimônio. O estoque total da dívida ativa da União ultrapassa R$ 2,9 trilhões, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU).
"O COMPREI democratizou o acesso, mas o mercado de ativos da União não tolera amadorismo. A plataforma é apenas o balcão de negócios; para blindar a arrematação, o investidor precisa de conhecimento técnico", orienta Braggio.
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