
O setor imobiliário comercial está atravessando uma das transformações mais profundas de sua história recente. O modelo tradicional, focado estritamente na venda de produtos, cede espaço a uma economia de serviços e soluções. Impulsionada pelo avanço do e-commerce e por mudanças de hábito pós-pandemia, essa tendência, já consolidada nos Estados Unidos, ganha força no Brasil.
Uma reportagem recente do The Wall Street Journal destacou que, no mercado norte-americano, o número de spas e academias cresceu exponencialmente em relação às lojas de produtos. Dados da consultoria CoStar Group confirmam que, entre 2011 e 2025, as atividades ligadas ao bem-estar tornaram-se predominantes nos contratos de locação.
No Brasil, o cenário é análogo. "Percebemos que tudo o que envolve cuidados com o corpo e a mente cresceu muito nos últimos anos", explica Marcos Saad, fundador da MEC Malls, empresa especializada na concepção e gestão de strip malls. Segundo o empresário, o consumidor brasileiro está priorizando gastos com saúde, estética e conveniência, o que altera diretamente o mix de ocupação dos centros comerciais.
A migração para os serviços é, em grande parte, uma resposta ao avanço digital. De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, as vendas online representaram 16,4% do varejo total em 2025. No Brasil, esse índice variou entre 12% e 14%, aproximando-se de mercados maduros.
Essa digitalização permitiu que grandes indústrias chegassem diretamente ao consumidor final, eliminando intermediários. Um exemplo emblemático é a Unilever, que hoje opera mais de três mil lavanderias com a marca Omo, além de serviços de ajuste de roupas. Marcas globais como Nike, Apple e Nestlé, e nacionais como Swift (JBS) e Portobello Shop, também expandiram seus canais próprios.
"Os centros comerciais estão evoluindo para polos existenciais, mesclando comércio, educação, saúde, alimentação e lazer em um só lugar. Isso vem da combinação de sociedades mais maduras, que gastam mais com bem-estar, e o uso de canais digitais para compras rotineiras", completa o empresário.
"Diante desse novo ecossistema, os strip malls levam vantagem por estarem inseridos diretamente nos bairros, facilitando a logística do dia a dia. A demanda por esses espaços tem sido liderada por redes de saúde e estética, bem-estar, conveniência alimentar e serviços pessoais", encerra Saad, que também é presidente do Conselho da Associação Brasileira de Strip Malls (ABMalls).
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