
A consolidação do trabalho híbrido após a pandemia trouxe novas complexidades para a gestão empresarial. Embora o modelo tenha sido incorporado por grande parte das organizações, medir a produtividade dos times fora do ambiente físico ainda se apresenta como um desafio.
Segundo pesquisa do Microsoft Work Trend Index 2023, 85% dos líderes afirmaram ter dificuldade em confiar plenamente na produtividade de suas equipes no formato remoto ou híbrido. O estudo aponta que a falta de métricas claras e de ferramentas adequadas para avaliar resultados compromete a tomada de decisão e pode gerar tanto microgestão quanto insegurança organizacional.
Dados da Gallup indicam que equipes com alto engajamento apresentam 23% mais lucratividade e 14%–18% mais produtividade, além de menos absenteísmo, evidenciando a relação entre métricas claras de desempenho e resultados organizacionais.
Nesse contexto, soluções de monitoramento de produtividade têm sido utilizadas para avaliar, de maneira objetiva, a eficiência de diferentes modelos de trabalho. Durante a pandemia, ferramentas como as desenvolvidas pela startup brasileira Evope foram aplicadas por diversas empresas para garantir a continuidade da produtividade no home office. Desde então, a tecnologia tem sido usada para mensurar resultados e apoiar decisões estratégicas sobre alocação de equipes, modelos de trabalho e gestão de riscos relacionados ao bem-estar.
Um exemplo é o de uma empresa do segmento de construção civil de alto padrão, que buscava comprovar se a carga de trabalho justificava a expansão da equipe. A gestão havia levantado dúvidas sobre o impacto do modelo híbrido no desempenho do time. Em um período de 15 dias úteis, os dados coletados pela Evope mostraram que os colaboradores entregavam mais de 100% das horas previstas, tanto no escritório quanto em casa. Nos dias de trabalho remoto, a produtividade chegava a superar 120%. O estudo apontou ainda que, mesmo após o expediente no escritório, parte das atividades seguia sendo realizada em casa. Entre os 70 colaboradores avaliados, 77% apresentaram sinais de propensão ao burnout, reforçando a necessidade de ajustes na distribuição de tarefas.
Outro caso envolveu uma empresa que desejava comparar o desempenho entre o trabalho presencial e remoto para avaliar o real impacto do retorno para trabalho presencial pós-pandemia. Em dez dias de análise, a plataforma indicou que a produtividade média no escritório foi de 66%, contra 88% no home office. O relatório também mostrou que, nos dias de trabalho presencial, parte das tarefas era concluída fora do horário formal. Foram monitorados 30 colaboradores, e os resultados ajudaram a direcionar a decisão sobre a adoção de maior flexibilidade no modelo de trabalho e na adoção de práticas para reduzir a propensão ao burnout.
Segundo Danilo Lira, CEO da Evope, a coleta de dados permite decisões mais embasadas e menos intuitivas. “Quando se observa de forma concreta como os colaboradores utilizam seu tempo e quais padrões se repetem em diferentes modelos de trabalho, o gestor passa a ter subsídios para tomar decisões equilibradas, seja na alocação de equipes ou na definição de políticas de jornada”, afirma.
Especialistas ressaltam que a adoção de tecnologias de mensuração requer diretrizes institucionais explícitas. Artigo da Harvard Business Review destaca que o sucesso do trabalho híbrido está condicionado à transparência nas expectativas, à confiança mútua e ao foco na entrega de resultados, em oposição a práticas de controle excessivo que podem prejudicar o vínculo entre empresa e colaboradores (Leading in a Hybrid World).
Com a expansão dos modelos híbridos e remotos, a discussão sobre produtividade deve permanecer central na agenda de lideranças. A mensuração baseada em dados concretos com suporte de insights gerados pela inteligência artificial, combinada a diretrizes de bem-estar e comunicação aberta, tende a orientar as empresas na construção de ambientes mais sustentáveis e eficazes no longo prazo.
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