
A Ecora, certificadora brasileira de créditos de carbono apresentada na COP30 por Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Ecogreen, abriu consulta pública para a construção de seu padrão técnico e metodologia de certificação. O processo conta com apoio técnico da Aecom e pretende reunir contribuições para fortalecer transparência, consistência metodológica e governança na certificação de créditos no país.
A consulta é direcionada a desenvolvedores de projetos, empresas de validação e verificação, instituições financeiras, investidores e companhias compradoras ou financiadoras de créditos. Também são convidados representantes da sociedade civil, organizações não governamentais, órgãos públicos e entidades de controle, com o objetivo de ampliar o escrutínio e a credibilidade do programa.
Nesta primeira rodada, a Ecora disponibilizou documentos estruturantes do seu programa de certificação, incluindo o padrão normativo da certificadora e ferramentas metodológicas para avaliação de adicionalidade, análise de risco de não permanência — com foco em projetos de Agricultura, Florestas e Uso da Terra (AFOLU) — e diretrizes regulatórias aplicáveis ao contexto brasileiro. Segundo a empresa, as referências incluem parâmetros associados ao Artigo 6 do Acordo de Paris e iniciativas internacionais de integridade do mercado voluntário.
Esta primeira consulta pública trata especificamente da metodologia de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Floresta (REDD) voltada a projetos florestais no âmbito de AFOLU, considerada uma das frentes mais relevantes para o contexto brasileiro, dado o papel estratégico dos biomas nacionais na mitigação das mudanças climáticas.
Visão de investidores
"Para investidores e financiadores, a robustez metodológica é decisiva para dar escala ao mercado com confiança. A abertura da consulta pública contribui para fortalecer critérios técnicos, transparência e governança — pilares para reduzir riscos e aumentar a segurança de quem financia e de quem compra créditos", afirma Marcelo Noronha, CEO do Bradesco.
Para Hélio Barbosa Júnior, diretor do Fundo Ecogreen, a consulta pública reforça o compromisso com a construção de um mercado sólido e confiável. "A Ecora nasce com o propósito de colocar o Brasil no centro da nova economia verde, com protagonismo e credibilidade", destaca.
As contribuições podem ser enviadas até 23 de maio por meio da plataforma digital no site da Ecora. Após o encerramento do prazo, os comentários serão consolidados e avaliados tecnicamente, com possibilidade de incorporação às versões finais. A empresa informa ainda que haverá uma segunda rodada de consulta pública, com novos módulos metodológicos e diretrizes complementares.
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