
O Qive Conecta, promovido pela empresa de tecnologia Qive, ocorreu em 16 de abril e contou com a presença de lideranças de Azul, Google Cloud, Grupo Casas Bahia, The Fini Company e Swissport. O encontro abordou a Reforma Tributária, a aplicação de Inteligência Artificial (IA) nas áreas fiscal e financeira e os desafios de adaptação às novas exigências regulatórias. O objetivo foi identificar tendências que impactam a rotina dos executivos e propor caminhos para melhorar a maturidade operacional das organizações.
Durante o evento, os especialistas apresentaram cinco principais insights, baseados em estudos internos e experiências de mercado.
1. Emissão correta não garante maturidade operacional – Um estudo da Qive analisou 104 milhões de documentos fiscais emitidos entre janeiro e março. O Panorama do Contas a Pagar mostrou que 78,5% das notas de produto de empresas no regime normal já atendem às regras da CBS e IBS. Contudo, Ísis Abbud, co‑CEO da Qive, alertou que a conformidade na emissão não reflete maturidade nos processos internos, podendo gerar impactos negativos de caixa. O estudo também identificou baixa adesão ao Simples Nacional: 5,6% em NFe e 0,76% em NFSe, indicando risco de perda de competitividade na cadeia de fornecedores.
2. Inteligência Artificial e a regra 10‑20‑70 – Rafael Hoshino, Head of Business Finance Latam do Google Cloud, explicou que a IA permite combinar rapidez e precisão nos processos financeiros. Soluções baseadas em IA já detectam anomalias contábeis e geram lançamentos de ajustes de forma autônoma. Segundo Hoshino, o sucesso depende de 10% de algoritmos, 20% de tecnologia e 70% de fluxos bem desenhados e gestão de mudança.
3. Fim dos processos isolados e necessidade de liquidez – Erika Daguani, CPO da Qive, descreveu a fragmentação atual, em que notas fiscais transitam entre sistemas, planilhas e aprovações manuais, gerando ineficiência. Ela destacou a importância da associação automática entre nota e boleto para viabilizar o Split Payment. Tatiane Mendonça, CFO da Swissport, reforçou que a integração entre Contas a Pagar e Contas a Receber é essencial para manter a saúde operacional e a previsibilidade de caixa.
4. Duplicata Escritural e boleto dinâmico – Rodrigo Furiato, VP da Núclea, e Christian De Cico, CO‑CEO da Qive, discutiram a regulamentação do Banco Central sobre a Duplicata Escritural. O modelo pode liberar entre R$ 10 e R$ 12 trilhões em crédito B2B. O boleto dinâmico permitirá que o pagamento seja redirecionado automaticamente para o banco do fornecedor, reduzindo fraudes e pagamentos duplicados. O piloto está previsto para o segundo semestre, com obrigatoriedade para grandes empresas no primeiro trimestre do próximo ano.
5. Perfil do CFO do futuro – Antonio Garcia, CFO da Azul, enfatizou que a adoção de IA deve ser precedida pela resolução de problemas básicos de Contas a Pagar e pela consolidação de bases de dados estruturadas. Ele afirmou que o gestor financeiro deve simplificar a complexidade para garantir que a organização opere de forma eficiente.
Os debates do Qive Conecta apontam para a necessidade de alinhamento entre tecnologia, processos e cultura organizacional, visando a conformidade tributária e a otimização das finanças corporativas.
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