
A resistência à insulina é uma condição em que o organismo passa a responder de maneira inadequada à ação da insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue. Como consequência, o pâncreas precisa produzir quantidades cada vez maiores da substância para compensar o desequilíbrio.
Considerada uma das alterações metabólicas mais comuns da atualidade, quando não identificada precocemente, ela pode evoluir de forma silenciosa e aumentar o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2.
"Muitas pessoas convivem durante anos com desequilíbrios no organismo sem perceber e acabam normalizando sintomas, atribuindo-os ao cansaço ou ao estresse. Em muitos casos, essas manifestações já podem indicar um quadro de resistência à insulina", afirma Renato Lobo (CRM: 181069-SP), médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, com pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN e Medicina Esportiva, e idealizador da Clínica Sculpté, localizada no bairro do Jardim Paulista, em São Paulo.
O médico lista alguns sinais do corpo que podem servir de alerta para investigar possíveis alterações metabólicas.
Sono após as refeições
Segundo Renato Lobo, isso ocorre quando o organismo apresenta dificuldade para utilizar a glicose adequadamente. "Já que os alimentos ricos em carboidratos podem provocar picos glicêmicos seguidos de queda de energia, favorecendo a sensação de sonolência após comer".
Manchas escuras na pele
Chamada de acantose nigricante, a condição pode ocorrer em áreas como pescoço, axilas e virilha. Um estudo publicado em 2025 apontou relação entre o quadro e maior risco cardiometabólico. "Essas manchas costumam aparecer de forma gradual e muitas pessoas não associam isso aos desequilíbrios hormonais e metabólicos", detalha o especialista.
Dificuldade para emagrecer
Mesmo com mudanças na alimentação e prática de atividade física, algumas pessoas relatam que o peso corporal não reduz com facilidade. "A resistência à insulina pode interferir em mecanismos hormonais ligados ao gasto energético e ao armazenamento de gordura, dificultando o emagrecimento", comenta Renato Lobo.
Compulsão por doces
A vontade frequente de consumir açúcar e carboidratos pode estar relacionada às oscilações glicêmicas. "O organismo passa a buscar fontes rápidas de energia, aumentando o desejo de consumir alimentos doces ao longo do dia", esclarece o médico.
Fadiga e dificuldade de concentração
Elas também podem surgir em quadros de resistência à insulina. "Muitos pacientes mencionam exaustão mental mesmo após uma boa noite de sono", conta.
Alterações nos exames laboratoriais
Níveis elevados de triglicerídeos e redução do HDL, conhecido como colesterol bom, podem estar relacionados ao desequilíbrio metabólico. "Os exames ajudam a identificar mudanças antes mesmo do diagnóstico de diabetes tipo 2", revela.
E o que fazer?
De acordo com o especialista, o ideal é procurar um médico para avaliação clínica e realização de exames laboratoriais. "Adotar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico está entre as medidas recomendadas para melhorar a sensibilidade à insulina e, com isso, evitar a evolução para o diabetes tipo 2", conclui Renato Lobo.
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