Quarta, 17 de Junho de 2026
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Muito Além do Post: O Legado do Padre Nazareno e a Escuta como Ato Político

Em um mundo de algoritmos e conexões superficiais, a história do novo beato de Mato Grosso nos ensina que a verdadeira influência não nasce do barulho, mas da coragem de ouvir e da disposição de servir.

17/06/2026 às 14h43
Por: Redação Fonte: Rafael Rosa
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Foto: Reprodução
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No último dia 13 de junho, um sábado histórico, estive em Jauru para um evento que
dificilmente sairá da minha memória: a celebração da beatificação do Padre Nazareno
Lanciotti. Como assessor, meu papel era registrar, documentar e comunicar. Mas, ao pisar
naquele solo e ouvir as histórias que ainda ecoam pelas ruas da cidade, percebi que estava
diante de algo que desafia qualquer métrica de engajamento digital. Estava diante de um
legado que é a personificação do que chamo de Muito Além do Post.

Padre Nazareno não foi apenas um líder religioso; ele foi o que muitos chamam de o
"coronel do bem" em Jauru. Mas não um coronel pelo medo ou pela força bruta, e sim pela
presença absoluta. Ele exercia a política em seu estado mais puro: o cuidado com a pólis.
Ele não apenas falava sobre justiça; ele lutava bravamente contra a prostituição, o trabalho
escravo e os desmandos de posseiros. Ele era o ponto focal de todas as dores e esperanças
de uma comunidade que, muitas vezes, não tinha a quem recorrer.

A Paróquia e o Feed: Onde a Escuta se Torna Ação

Muitas vezes, na rotina frenética da assessoria parlamentar, somos tentados a olhar para as
redes sociais apenas como uma vitrine de realizações. Mas a história do Padre Nazareno
nos força a um olhar mais profundo. Ele nos ensina que a Escuta Ativa é, em si, um ato
político transformador.

O Padre não esperava que os problemas fossem resolvidos por decreto; ele ouvia o cidadão
na porta da igreja, no dispensário que fundou, ou nas 57 comunidades rurais que criou. Ele
traduzia a dor do outro em ação imediata. Hoje, o perfil de um parlamentar nas redes
sociais é a "paróquia digital" do nosso tempo. É ali que o cidadão bate à porta, muitas
vezes com uma crítica ácida ou um pedido de socorro.

Quando ignoramos um comentário ou respondemos com uma frase automática, estamos
fechando a porta da igreja. Quando praticamos a escuta ativa — aquela que busca entender
a demanda real por trás da reclamação — estamos honrando o papel de facilitadores da
democracia.

A Coragem de ser Incômodo

O martírio do Padre Nazareno em 2001, assassinado por "incomodar gente poderosa", é um
lembrete severo de que a comunicação verdadeira tem um preço. Ele denunciava o tráfico
de drogas e a exploração de menores quando o silêncio seria o caminho mais seguro.

Na comunicação política moderna, a nossa "luta" é contra a desinformação e o
engajamento vazio. Humanizar um mandato exige a coragem de ser autêntico em um mar
de personagens fabricados. Exige a disposição de tratar de temas difíceis com a mesma
firmeza com que o Padre Nazareno defendia os pobres de Jauru. A influência real não vem
do número de seguidores, mas da credibilidade conquistada ao estar na linha de frente
pelas pessoas.

O Extraordinário no Cotidiano

Estar naquela cerimônia como assessor foi um momento único, mas estar lá como Rafael
foi transformador. Enquanto via a multidão sob o sol forte daquele sábado, unida em uma
demonstração de fé que atravessa fronteiras, fui tocado por uma emoção que não estava
no roteiro. Recentemente, recebi o diagnóstico de diabetes, uma descoberta que me
colocou diante de grandes questionamentos sobre o sentido da vida e a nossa fragilidade.
Ali, diante do exemplo de Nazareno, minha própria fé encontrou um novo fôlego. Percebi
que a missão dele e a nossa, guardadas as devidas proporções, nascem do mesmo lugar: a
coragem de encarar a realidade e transformá-la em serviço.

Muitas vezes, o trabalho do assessor é invisível. Somos nós que preparamos o terreno, que
filtramos as dores, que traduzimos a técnica em esperança. O Padre Nazareno nos mostra
que esse trabalho invisível é o que sustenta as grandes transformações. Essa mesma visão
de serviço é o que move a parceria do Deputado Beto Dois a Um com Jauru. Como católico,
o deputado compreende que apoiar um evento dessa magnitude não é apenas destinar
recursos, mas preservar uma identidade e honrar um ato que representa muito para o
Estado e para o Brasil. É entender que a política, quando bem feita, é um instrumento para
potencializar o que há de sagrado na cultura de um povo. Ele não limpava o estádio como
os japoneses na Copa, mas limpava a alma de uma cidade combatendo a injustiça.

Conclusão: O "Cachecol" da Fé e do Serviço

Se no meu artigo anterior falei sobre o cachecol da Colômbia como símbolo de conexão, o
legado do Padre Nazareno é o "cachecol" da responsabilidade. Ele nos ensina que a
comunicação política deve ser uma ferramenta de hospitalidade social.

Ser social media político, sob a ótica do Método MAP, é entender que cada interação é uma
oportunidade de exercer essa hospitalidade. É guiar o cidadão não apenas para um assento
no estádio, mas para o seu lugar de direito na sociedade. Que o exemplo de Nazareno
Lanciotti nos inspire a ouvir mais, a falar com mais verdade e a lembrar que, no fim do dia,
o que fica não é o post que viralizou, mas a vida que foi transformada pelo nosso serviço.

Rafael Rosa é estudante de Jornalismo, especialista em Comunicação Eleitoral e Marketing
Político e atua na linha de frente da comunicação política, focando em estratégias de
humanização, gestão de imagem pública e assessoria parlamentar.

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