
A cidade de Paracatu, localizada no Noroeste de Minas Gerais, recebe, de 20 a 22 de agosto, o Laboratório de Alfabetização em Futuros, experiência que abre a programação do III Seminário de Economia da Cultura de Paracatu - Olhares para o Futuro. Realizado na sede do Sebrae, o laboratório propõe uma reflexão prática e coletiva sobre dois desafios que já impactam o presente: a emergência climática e as transformações no mundo do trabalho. A participação é gratuita e as vagas são limitadas para esta primeira etapa. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas por meio deste link.
Realizado no âmbito da Cátedra UNESCO de Bem-Estar Planetário e Antecipação Regenerativa, vinculada ao Museu do Amanhã e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o laboratório reúne participantes de diferentes áreas para pensar como Paracatu pode se preparar para os próximos anos. A proposta não é prever o futuro, mas ampliar a capacidade de imaginar possibilidades e, a partir delas, refletir sobre as escolhas que precisam ser feitas no presente.
Em 2026, pela primeira vez, o Seminário passa a integrar oficialmente o Projeto CUTUCAR - Cultura e Turismo no Caminho Real: Educação Patrimonial e Inclusão Social, que chega à sua 9ª edição. Realizado pela GUIASTUR e pelo MINISTÉRIO DA CULTURA, o projeto conta com o patrocínio da Kinross, por meio da Lei Rouanet. Essa integração aproxima ainda mais campos que, na prática, nunca estiveram separados no território: cultura, turismo, patrimônio, educação, meio ambiente e desenvolvimento.
O CUTUCAR já alcançou mais de 11 mil beneficiários diretos, realizou mais de 500 oficinas em 27 escolas e na APAE e gerou mais de mil postos de trabalho diretos e indiretos, com movimentação econômica estimada em mais de R$ 30 milhões, segundo dados da FGV/MinC.
Segundo a coordenação do Projeto CUTUCAR, a iniciativa reforça o papel da cultura como ferramenta de desenvolvimento territorial. "O CUTUCAR sempre trabalhou a cultura como um caminho de transformação social e econômica. Ao trazer a metodologia de futuros para Paracatu, estamos ampliando essa visão e conectando o território a debates globais sobre clima, trabalho e inovação", afirma a coordenadora de produção, Christiane Pereira dos Santos.
Participação da UNESCO
Entre as facilitadoras do Laboratório, está Anna Carolina Fornero Aguiar, pesquisadora da Cátedra UNESCO e professora do Mestrado em Ciências da Sustentabilidade da PUC-Rio. Doutora em Ecologia pela UFMG, ela pesquisa temas como transição energética e neoecossistemas e tem uma trajetória ligada à mineração, restauração, impactos ambientais e cultura.
Anna retorna a Paracatu após participar do Seminário em 2025, quando apresentou a palestra "Urgência Climática e Futuro Regenerativo: Cultura, Tecnologia e Natureza em Travessia". Nesta edição, ela conduz a experiência que pretende estimular os participantes a pensar questões como: quais profissões e atividades podem ganhar espaço nos próximos anos? Como novas oportunidades de trabalho e renda podem surgir? E qual pode ser o papel da cultura, da arte e da economia criativa nesse processo?
Uma jornada em quatro etapas
Em sua terceira edição, o Seminário de Economia da Cultura de Paracatu amplia o formato e passa a ser uma jornada de conhecimento composta por quatro etapas. Depois do Laboratório de Alfabetização em Futuros, acontece, nos dias 2, 3 e 4 de setembro, o Bootcamp Laboratório Futuros de Paracatu, uma formação de 24 horas conduzida com a experiência do Sebrae, voltada à transformação das ideias construídas na primeira etapa em projetos, negócios e possibilidades de geração de renda.
De 10 a 12 de setembro, será realizado o Encontro de Diálogos, que reunirá participantes e convidados para aprofundar as discussões sobre emergência climática, trabalho, cultura e desenvolvimento. Entre os nomes já confirmados estão Lala Deheinzelin e Fábio Scarano.
A jornada será encerrada com a Missão Rio de Janeiro - Museu do Amanhã. Ao final das três primeiras etapas, dez participantes serão selecionados para uma experiência de imersão no Rio de Janeiro, com atividades no Museu do Amanhã e despesas custeadas pelo evento. Para concorrer à seleção, será necessário participar integralmente das três etapas anteriores.
Cultura, território e futuro
O Laboratório não surge por acaso. Segundo o produtor do Seminário de Economia da Cultura, Rubem dos Reis, ele é consequência de uma conversa que o Seminário de Economia da Cultura constrói em Paracatu, desde 2024.
"Na primeira edição, partimos de uma ideia central: a cultura pode ser também caminho de desenvolvimento, trabalho e renda quando reconhece as vocações das pessoas e do território. Em 2025, a conversa avançou para as mudanças na natureza do trabalho e para a emergência climática — dois movimentos que já estão redesenhando a vida das cidades. Em 2026, sob o tema ‘Olhares para o Futuro’, queremos dar um passo adiante. Se essas transformações já estão em curso, que futuros Paracatu pode imaginar para si? Como enfrentar a emergência climática? Que novos empregos podem surgir? E como cultura, arte e economia criativa podem participar da criação de novas possibilidades de ocupação, renda e desenvolvimento?", comenta.
É por isso que, neste ano, o Seminário deixa de acontecer apenas nos três dias do encontro principal. Ele passa a ser uma jornada em quatro etapas — um percurso que começa pela imaginação, passa pela prática, amplia os diálogos e termina com uma experiência de imersão no Rio de Janeiro.
"Quem quiser viver o percurso desde o início pode se inscrever para o Laboratório de Alfabetização em Futuros, o Bootcamp Laboratório Futuros de Paracatu e o Encontro de Diálogos. Quem cumprir integralmente as três etapas também poderá participar da seleção para a Missão Rio de Janeiro - Museu do Amanhã. Também é possível se inscrever especificamente para o Encontro de Diálogos, que acontece de 10 a 12 de setembro", informa Rubem dos Reis.
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