Quarta, 26 de Agosto de 2026
Sociedade Políticas

Pará ganha três bibliotecas voltadas à primeira infância

Iniciativa em parceria com a Fundação Van Leer chega a três comunidades de Benevides e leva novas bibliotecas pensadas desde o início para crianças de até seis anos

26/08/2026 às 15h32
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Crédito: Divulgação
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Agosto é o mês de olhar com mais atenção para os primeiros anos de vida. Instituído pela Lei Federal nº 14.617/2023 como o Mês da Primeira Infância, o período é dedicado a conscientizar a sociedade sobre a importância da atenção integral a gestantes, bebês e crianças de até seis anos de idade. Em sintonia com esse olhar, a Vaga Lume, em parceria com a Fundação Van Leer, vai inaugurar três novas bibliotecas em Benevides (PA), a cerca de 40 km de Belém, nas comunidades de Taiassuí, Juquiri e Divino Espírito Santo, com início das atividades previsto para a segunda quinzena de setembro.

Pensadas desde o início para essa faixa etária e suas pessoas cuidadoras, as novas bibliotecas expandem a atuação da Vaga Lume a 24 municípios e ampliam o acesso aos livros e à leitura em comunidades que ainda enfrentam desafios para acessar esses recursos de forma estruturada. Reconhecido desde a parceria com a Fundação Van Leer, por meio da Urban 95, como Município da Primeira Infância, Benevides também se destaca pelos resultados na educação pública: os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) apontam nota 7,0 nos Anos Iniciais e 5,8 nos Anos Finais do Ensino Fundamental, colocando o município em posição de destaque no Pará e na região Norte. É nesse ambiente de valorização da educação que a parceria entre a Prefeitura de Benevides e a Fundação Van Leer contribui para ampliar as oportunidades de acesso à leitura e à literatura, criando espaços onde livros, histórias e experiências de leitura possam fazer parte do cotidiano das crianças desde os primeiros anos de vida.

"Levar o projeto da Vaga Lume para Benevides é muito especial porque estamos falando de um município amazônico que já vem construindo uma trajetória de compromisso com a Primeira Infância nos últimos anos. É uma cidade da Rede Urban95 que vem pensando em políticas públicas para bebês, crianças pequenas e suas famílias com muita consistência. Para nós, essa parceria é uma oportunidade de somar um projeto a esse movimento da Primeira Infância, ao mesmo tempo em que fortalecemos essa experiência para os cidadãos da comunidade, que, por sua vez, podem inspirar outros territórios na região metropolitana de Belém e na Amazônia de forma geral", ressalta Marina Arilha, coordenadora de programas da Fundação Van Leer.

A iniciativa chega em um ano especialmente simbólico para a primeira infância e para a própria Vaga Lume. Em 2026, o Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016) completa dez anos, reforçando a importância de políticas e iniciativas que garantam atenção integral às crianças de zero a seis anos. E, no mesmo ano em que celebra 25 anos de atuação, a Vaga Lume amplia, ainda mais, sua presença na Amazônia e leva, de forma inédita, bibliotecas comunitárias pensadas especialmente para a primeira infância e suas pessoas cuidadoras a um novo território.

"As bibliotecas da Vaga Lume sempre priorizaram a primeira infância. Sabemos que a leitura começa antes mesmo de a criança aprender a ler, por isso, as novas bibliotecas de Benevides têm como público também as pessoas cuidadoras, que fazem essa ponte com a criança como mediadoras de leitura. Com essa inauguração, aprofundamos esse compromisso: além da formação presencial, criamos um curso online para educadores da rede municipal e voluntários da Vaga Lume", explica Lia Jamra, diretora-executiva da Vaga Lume.

É a partir desse olhar que as novas bibliotecas serão implementadas. O processo inclui o envio de mobiliário e acervo, a formação das pessoas voluntárias que atuarão como mediadoras de leitura e o acompanhamento contínuo das atividades. "Mais do que disponibilizar livros, a proposta é fortalecer pessoas e comunidades para que a leitura possa se tornar uma experiência compartilhada e presente no cotidiano", reforça Lia.

O acervo já chega com histórias capazes de abrir diferentes caminhos para essa experiência. Entre os livros que estarão nas novas bibliotecas está "Um Curumim, Uma Canoa", de Yaguarê Yamã, que acompanha um menino indígena do povo Maraguá e apresenta seus costumes, sua relação com a natureza, o rio e a vida comunitária. Há também "Afete", de Daniel Munduruku e Roberta Asse, que convida a refletir, de maneira poética, sobre infância indígena, cuidado, pertencimento e relações com o meio ambiente.

Para quem gosta de viajar pela imaginação, "Onde Vivem os Monstros", de Maurice Sendak, acompanha Max em uma aventura entre monstros, descobertas e saudades de casa. Já "Maior Museu do Mundo!", de Caio Zero, propõe outro tipo de descoberta: ao observar obras de arte, um menino começa a enxergar relações entre o museu, sua família, seus vizinhos e o território onde vive. E, em "Uma Aranha Muito Ocupada", de Eric Carle, uma pequena aranha segue concentrada na construção de sua teia enquanto os animais da fazenda a convidam para brincar.

"Na primeira infância, cada encontro com um livro pode ser também um encontro com o outro, com o território e com novas possibilidades de imaginar o mundo. É isso que queremos fortalecer com essas novas bibliotecas, criando espaços onde crianças, famílias, pessoas cuidadoras, voluntários e educadores possam ler, compartilhar histórias e construir vínculos desde os primeiros anos de vida", diz Lia.

Além da implementação das três bibliotecas, o projeto também prevê a formação continuada de 35 bibliotecas da rede Vaga Lume no Pará. As comunidades participarão de formações por meio de um ambiente virtual de aprendizagem, atualmente em desenvolvimento, que também servirá como apoio à formação continuada dos voluntários das bibliotecas implementadas em Benevides. Além disso, as comunidades receberão livros voltados a atividades com a primeira infância e seus cuidadores. A experiência também será sistematizada, com a produção de materiais e espaços de partilha que possam contribuir para a expansão da metodologia para outros territórios.

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