
O professor brasileiro dá mais aulas, tem mais alunos por turma e ganha menos do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Enquanto isso, o mesmo tipo de conhecimento que sustenta uma sala de aula passou a circular em outro mercado e em outra escala: negócios de educação digital que aplicaram a metodologia do Grupo Plugu somaram mais de R$ 40 milhões em vendas de infoprodutos em 2026, segundo a empresa.
Os dados do relatório Education at a Glance, da OCDE, ajudam a explicar o contraste. A remuneração de professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil é 47% menor que a média dos países da organização, em uma comparação baseada na paridade de poder de compra, critério que considera o custo de vida de cada país, e não a conversão pelo câmbio. Esses professores também têm uma carga horária maior, de 800 horas por ano, contra 706 da média da OCDE, e atendem turmas maiores: 22 alunos por sala, ante 13. Em janeiro de 2026, o piso nacional do magistério foi reajustado para R$ 5.130,63, em jornadas de 40 horas semanais.
É nesse ponto que o mercado de produtos digitais educacionais entra na conta. Na sala de aula, o alcance de um professor é limitado pelo número de carteiras. Em uma plataforma de cursos, o mesmo conteúdo pode ser vendido para milhares de pessoas sem que o custo suba na mesma proporção.
A demanda por conteúdo pago fora da educação formal acompanha o movimento. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostrou que 54% dos brasileiros que usam a internet compraram algum tipo de infoproduto nos 12 meses anteriores ao levantamento. Na Hotmart, maior plataforma do setor na América Latina, 21 milhões de consumidores compraram produtos digitais no mundo no último ano.
Do outro lado do balcão, a atividade deixou de ser complementar para boa parte de quem produz. Estudo da FGV Comunicação Rio, feito em parceria com a Hotmart, estimou em 389.448 os postos de trabalho diretos e indiretos gerados pelo ecossistema de produtos digitais da plataforma no Brasil em 2024, quase 30% a mais que no ano anterior. Para 42% dos produtores ouvidos, a venda de produtos digitais já é a principal fonte de renda. Entre os que formalizaram a operação como pessoa jurídica, o faturamento médio mensal chega a R$ 10.007, contra R$ 4.987 entre os que atuam como pessoa física.
No Brasil, a profissionalização desse mercado vem sendo conduzida por empresas que se especializaram em estruturar a operação de venda desses cursos. É o caso do Grupo Plugu, empresa de educação digital fundada pelos sócios Gustavo Lopes, CEO, e João Vitor Tafuri, CMO, que desenvolveu uma metodologia própria de alavancagem de vendas de infoprodutos. Segundo a companhia, os negócios que aplicaram o método somaram mais de R$ 40 milhões em vendas em 2026.
A engenharia por trás da escala
A metodologia é organizada em três etapas: captação de audiência, produção de conteúdo e conversão em vendas. O que muda em relação ao modelo mais comum do mercado, segundo os sócios, é a ordem e o critério. Antes de produzir qualquer conteúdo, a empresa pesquisa o público para construir a oferta a partir do problema que as pessoas dizem ter. Depois, a operação passa a ser acompanhada por indicadores fixos, como custo por clique, taxa de reprodução do vídeo de vendas, conversão e ticket médio, revisados periodicamente. Em vez de concentrar o faturamento em lançamentos pontuais, o modelo mantém a venda rodando de forma contínua.
"Infoproduto é negócio como qualquer outro: tem processo, tem número e tem repetição. A diferença é que aqui o insumo é o conhecimento de alguém que passou a vida estudando um assunto", afirma Gustavo Lopes.
Para os sócios, o efeito prático da estrutura é deslocar o teto de renda de quem ensina: o que define quanto um especialista ganha deixa de ser a carga horária e passa a ser o alcance do que ele ensina.
"O professor nunca teve problema de conhecimento. Teve problema de estrutura. Quando a estrutura existe, o mesmo conteúdo que rendia um salário passa a alcançar milhares de pessoas", diz João Vitor Tafuri.
O movimento não substitui a escola. Mas cria uma segunda via de reconhecimento para professores e especialistas que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente do salário ou da hora-aula para transformar conhecimento em renda.
Sobre o Grupo Plugu
O Grupo Plugu é uma empresa de educação digital fundada por Gustavo Lopes (CEO) e João Vitor Tafuri (CMO), que atua com uma metodologia própria de vendas de infoprodutos estruturada em três etapas: captação de audiência, produção de conteúdo e conversão em vendas.
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