Quinta, 29 de Outubro de 2026
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Brasileiros lançam consultoria para importação da China

Donos de oito lojas em Portugal, Leon e Rachel Netto criam o Visão China após seis anos de experiência em negociações no país asiático

29/10/2026 às 08h36
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Carolina Aguiar
Carolina Aguiar

Na primeira vez que desembarcou na China para fazer negócios, o empresário carioca Leon Netto não tinha intérprete nem sabia exatamente por onde começar. Diante de uma quantidade difícil de dimensionar de fábricas e produtos, precisou encontrar sozinho os caminhos para negociar com os fornecedores locais. Seis anos depois, a experiência adquirida no país asiático ajudou a impulsionar um negócio que faturou mais de R$ 23 milhões em Portugal em 2025. Agora, Leon e a mulher, Rachel Netto, decidiram transformar o conhecimento acumulado em uma nova atividade: orientar outros empresários interessados em explorar o mercado chinês.

O casal é fundador do Grupo Netto, que reúne as marcas Casa do Sono e Euro Sofás e conta atualmente com oito lojas em Portugal. O negócio, iniciado em 2018, cresce no varejo de colchões e sofás, tendo nas relações comerciais com fabricantes chineses uma das bases de sua expansão. A nova iniciativa, batizada de Visão China, combina consultoria e viagens empresariais, com a primeira missão prevista para o primeiro semestre de 2027.

"Sem orientação, a gente chega lá e se depara com um número absurdo de fábricas e de produtos. É normal ficar completamente perdido", lembra Leon Netto, CEO do Grupo Netto, sobre a primeira viagem. "Até hoje, eu me pergunto como consegui me virar por lá."

A dificuldade com o idioma foi apenas um dos obstáculos. Identificar fabricantes, comparar propostas e perceber quais produtos poderiam fazer sentido para o mercado português exigiu um processo de aprendizagem que o empresário pretende agora compartilhar.

A ideia é que esse trabalho comece antes do embarque. A consultoria prevê reuniões individuais para conhecer a atividade de cada participante, identificar potenciais parceiros comerciais e organizar uma agenda de encontros na China. Durante a viagem, os empresários terão acompanhamento nas negociações, com apoio de intérpretes e visitas previamente agendadas.

"Nosso trabalho começa antes da viagem, com reuniões individuais para entender o negócio de cada empresário e identificar possíveis parceiros. Na China, acompanhamos desde a chegada ao aeroporto até as negociações, com apoio de intérpretes e encontros previamente agendados com fabricantes e profissionais do setor em que ele atua. A gente vai ajudar o empresário que nunca importou a escolher o produto e a trazer o produto", explica Leon.

A proposta é trabalhar com grupos reduzidos, em vez de organizar viagens com dezenas de participantes e uma programação igual para todos. Segundo Leon, o objetivo é adaptar os encontros às necessidades e aos interesses de cada empresa. "Nossa ideia não é uma missão com 100 pessoas. É dar um tratamento especial para quem vai conosco. Mais do que intérpretes, refeições, hotéis, o que nós queremos mesmo é conseguir conectar os empresários a quem pode revolucionar o seu mercado", afirma.

A iniciativa surge num contexto de forte presença dos produtos chineses no comércio internacional. Em 2025, a União Europeia importou 559,4 bilhões de euros (o equivalente a R$ 3,3 trilhões) em mercadorias da China, segundo o Eurostat. No mesmo período, as importações brasileiras de produtos chineses somaram US$ 70,9 bilhões (cerca de R$ 379,3 bilhões), de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Para Leon e Rachel, as possibilidades de negócio com a China não se limitam à importação de produtos para revenda. O contato direto com fabricantes pode permitir o desenvolvimento de linhas próprias, a aquisição de equipamentos e até a entrada em segmentos diferentes daqueles em que a empresa já atua.

Rachel, diretora-executiva do Grupo Netto, considera que um dos principais desafios dos empreendedores é conseguir identificar novas oportunidades enquanto estão envolvidos com as exigências da operação diária. "Quem está muito envolvido no operacional tende a pensar em crescer repetindo o modelo que conhece, como abrir mais uma loja ou um espaço maior. Queremos discutir outras possibilidades, que precisam ser analisadas à luz dos objetivos e da capacidade de cada empresa", afirma.

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