
O avanço da inteligência artificial aumentou o interesse dos profissionais brasileiros não apenas por tecnologia, mas também por habilidades essencialmente humanas, impactando diretamente a formação e a capacitação da mão de obra do país. Essa é uma das conclusões do relatório ‘Habilidades do Futuro & Aprendizado 2026’, da Unico Skill, empresa criadora do primeiro benefício educação ilimitado do Brasil. O estudo foi lançado na terça-feira (27), em São Paulo, com a presença de um dos seus consultores, o chair de Futuro do Trabalho da Singularity University, Gary Bolles, uma das principais autoridades em IA e trabalho do mundo.
Para Bolles, o que explica isso é que a tecnologia não substitui habilidades essencialmente humanas. "Em um mundo de mudanças exponenciais, a única coisa que se pode garantir é que vamos continuar trabalhando uns com os outros", afirma. "As tecnologias e o desenho dos empregos vão mudar, mas humanos vão continuar trabalhando com humanos por muito tempo. Por isso, precisamos redobrar a aposta nas habilidades flexíveis", completa.
Segundo o relatório, cursos de inteligência artificial são os mais buscados pelos profissionais de grandes empresas do país que oferecem o benefício educação ilimitado da Unico Skill, como Bradesco, iFood, Bayer, Solar Coca-Cola, Nestlé, entre outras. Termos ligados ao tema correspondem a 22,9% das buscas na plataforma, cujo catálogo reúne mais de 40 mil opções de graduações, pós, cursos livres, idiomas e mentorias de mais de 100 instituições de ensino brasileiras e estrangeiras. Esse interesse já se reflete na escolha dos trabalhadores: a IA é a terceira área de conhecimento com mais matrículas, com 12,6%, e, junto com tecnologia e dados (11,8%), responde por quase um quarto do total.
"A IA desperta uma curiosidade enorme, e isso se reflete diretamente na alta procura por cursos de tecnologia que estamos observando entre os trabalhadores brasileiros. E o mais interessante é que esse movimento vem acompanhado por uma forte demanda do mercado por habilidades essencialmente humanas. Isso também aparece com clareza na nossa plataforma", diz o CEO da Unico Skill, Joca Oliveira.
Essas habilidades lideram o ranking de matrículas da Unico Skill, com idiomas em primeiro, com 29,7% do total, seguidos por soft skills, com 15,1%. Juntas, as duas áreas concentram quase metade do que se estuda. A procura por línguas estrangeiras também é a que mais cresce: as matrículas na categoria subiram 87,9% entre o 2º semestre de 2025 e o 1º semestre de 2026, à frente de tecnologia, que teve alta de 72,5%. O movimento chama atenção num momento em que ferramentas de IA já traduzem textos e conversas em tempo real, e, segundo o relatório, sugere que o trabalhador enxerga no idioma algo além da tradução, como mobilidade profissional, acesso a conhecimento e capacidade de atuar em ambientes cada vez mais internacionais.
O relatório da Unico Skill foi feito a partir de conversas com especialistas, como Gary Bolles, e executivos responsáveis por programas de educação de algumas das maiores empresas do país. O estudo também traz dados do comportamento da base de usuários da própria plataforma, formada por profissionais de mais de 180 companhias. Juntas, elas somam mais de 500 mil colaboradores.
Por que os profissionais brasileiros estudam
O relatório revela, a partir de pesquisa com 1.211 usuários da Unico Skill, que 74,5% dos profissionais estudam pensando no próximo passo da carreira, e 62,3% já aplicaram o aprendizado diretamente no trabalho atual. Os dados, segundo o estudo, indicam que investimentos em educação feitos pelos empregadores têm impacto positivo no desenvolvimento individual dos trabalhadores e nos resultados das próprias empresas, que passam a contar com mão de obra mais qualificada.
Gary Bolles destaca o componente cultural desse movimento. "A mentalidade de muitos brasileiros está ancorada na esperança, na crença de que o futuro pode ser melhor. No Brasil, vejo pessoas com muita fome de aprender novas habilidades, entender novos setores e encontrar novas oportunidades. Isso não é tão comum em muitos outros países", afirmou.
Microlearning em alta
O impacto da inteligência artificial na educação e no mercado de trabalho vai além das áreas mais buscadas pelos profissionais brasileiros e já chega à forma como eles estudam. O relatório aponta que as constantes mudanças tecnológicas na era da IA obrigam os trabalhadores a manter o "modo aprendiz" ligado o tempo todo. Nesse cenário, formatos rápidos, que cabem na rotina, estão ganhando cada vez mais espaço, embora graduação e pós-graduação continuem sendo decisivas para o crescimento na carreira.
Na plataforma da Unico Skill, os cursos livres, de menor duração, lideram as matrículas quando o recorte é por tipo de formação, com 46,4% da preferência. A escolha tem relação direta com a rotina apertada de quem trabalha: 52,7% dos usuários ouvidos na pesquisa apontam a falta de tempo como o maior obstáculo para estudar.
O microlearning, abordagem que transmite conteúdo em pílulas de aprendizado, é uma das respostas a esse desafio. O relatório, porém, faz uma ressalva: "Conteúdos curtos só geram valor quando são desenhados para uma necessidade específica, apresentam uma orientação prática e permitem que o trabalhador aplique o que aprendeu". Um dos caminhos apontados é o workflow learning, ou aprendizagem no fluxo de trabalho, em que o conteúdo é incorporado à própria jornada: no início do turno, durante uma pausa ou no momento em que surge uma dúvida.
Sobre a Unico Skill
A Unico Skill é uma empresa que busca democratizar o conhecimento, fornecendo educação ilimitada como benefício a funcionários de empresas e dependentes. A plataforma conecta os trabalhadores e algumas das melhores instituições de ensino do Brasil, como Mackenzie, PUCPR, PUCRS, Fundação Dom Cabral, Estácio, Coursera, CNA, entre outras, além das melhores universidades estrangeiras, e está presente em mais de 180 empresas, como Solar Coca-Cola, iFood, Bradesco, Bayer, Ypê, Farmácia Pague Menos e outras, que somam mais de 500 mil colaboradores. O benefício educação funciona como um plano de saúde, mas voltado à educação: a empresa paga um valor fixo mensal por colaborador, e os trabalhadores passam a ter acesso à plataforma.
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