
A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória em que células semelhantes às do endométrio — tecido que reveste o útero — se desenvolvem fora da cavidade uterina. A condição pode afetar órgãos como ovários, tubas uterinas, bexiga e intestino, e atinge de 2% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo dados do Ministério da Saúde (MS) e da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE).
O diagnóstico da endometriose é desafiador e pode levar de 7 a 10 anos desde o surgimento dos sintomas. A investigação envolve avaliação clínica, exames de imagem — como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética de pelve — e, em alguns casos, cirurgia minimamente invasiva por videolaparoscopia. Por se tratar de doença crônica, recorrente e de sintomas variados, o objetivo do tratamento é controlar a dor, preservar a fertilidade e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
A Dra. Fernanda Chequer, médica e ginecologista, explica que os sintomas da endometriose estão diretamente relacionados aos órgãos acometidos, o que torna sua manifestação extensa e variável. "Os principais são dismenorreia —cólicas menstruais intensas —, dor pélvica crônica, dispareunia de profundidade — dor à penetração profunda —, dor e sangramento intestinal, dor e sangramento urinário e dificuldade para engravidar, conhecidos como os seis Ds da endometriose".
Segundo a ginecologista, a inflamação e as aderências causadas pelo tecido endometriótico contribuem para o surgimento da infertilidade e para a persistência de dores pélvicas. "A cada ciclo menstrual, esse tecido sangra em locais extrauterinos, o que gera inflamação e aderências – os órgãos grudam uns nos outros, como uma cola. As distorções anatômicas e a inflamação decorrentes desse processo são as causas de dor pélvica crônica e infertilidade".
A especialista esclarece que a endometriose pode comprometer tanto a anatomia pélvica quanto a qualidade dos óvulos. Segundo ela, a inflamação crônica decorrente do sangramento cíclico gera cicatrizes internas — as aderências. Além disso, substâncias liberadas nesse processo inflamatório podem afetar diretamente os folículos ovarianos e a reserva ovariana.
"A endometriose pode interferir diretamente na fertilidade feminina, e de múltiplas formas. A inflamação crônica gera um ambiente tóxico que interfere na qualidade dos óvulos e na fecundação. Além disso, as aderências podem levar à redução da movimentação das trompas — o que dificulta a captação do óvulo — e até mesmo a sua obstrução", afirma a médica.
Plano terapêutico individualizado
Dra. Fernanda Chequer destaca que o tratamento da endometriose deve ser sempre individualizado, considerando tanto o alívio da dor quanto o desejo reprodutivo da paciente. "Como a doença é estimulada por hormônios, algumas terapias envolvem bloqueio hormonal, o que impede a gestação. Nesses casos, pacientes com desejo de engravidar geralmente recebem indicação cirúrgica. Essas particularidades são avaliadas por meio de entrevista clínica, exame físico e complementares detalhados".
A médica ressalta que a cirurgia é o recurso terapêutico mais indicado para pacientes com endometriose que enfrentam dificuldades para engravidar, sendo necessário suspender tratamentos com bloqueios hormonais nesse período. "Antes do procedimento, deve ser considerada a possibilidade de congelamento de óvulos, pois os locais abordados na cirurgia podem interferir diretamente na reserva ovariana".
Para a especialista, o aconselhamento reprodutivo de mulheres jovens diagnosticadas com endometriose que ainda não desejam engravidar deve ter foco duplo, tanto em controlar a progressão da doença para preservar o potencial reprodutivo futuro, quanto garantir o maior número de alternativas caso isso não seja possível.
"Alinhamos o melhor tratamento clínico para o momento e, em casos selecionados, discutimos a possibilidade de congelamento de óvulos como forma de preservação da fertilidade. É um planejamento estratégico para que a paciente tenha mais opções quando decidir engravidar", conta a médica.
A ginecologista pontua que, embora a jornada de mulheres que convivem com a incerteza sobre a possibilidade de engravidar possa ser desafiadora, a endometriose não representa uma sentença de infertilidade. "Hoje, contamos com um arsenal de tratamentos e tecnologias a nosso favor. O passo mais importante é buscar um especialista, obter um diagnóstico preciso e traçar um plano", conclui.
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