
A ameaça de uma nova pandemia voltou ao centro das discussões científicas durante o 57º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (CBPCML). No debate ocorrido em setembro, dedicado às doenças emergentes, o veterinário e virologista Fernando Spilki, doutor em Genética e Biologia Molecular pela Unicamp e coordenador da Rede de Vírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentou a palestra “H5N1: Nova pandemia?”, na qual trouxe um panorama histórico e atual sobre a circulação do vírus influenza aviária de alta patogenicidade.
Segundo Spilki, o H5N1 reúne praticamente todas as características que tornam o influenza um dos vírus mais perigosos do ponto de vista evolutivo e epidemiológico. “Se existe um vírus com grande capacidade de evoluir e se adaptar a novas espécies, esse vírus é o influenza. Ele gabarita todas as possibilidades de adaptação em virologia, desde mutações e recombinações genéticas até o salto entre diferentes hospedeiros”, destacou.
O pesquisador relembrou a trajetória do H5N1 desde os primeiros surtos, nos anos 1990, em Hong Kong, quando a mortalidade ultrapassava 50%. Desde então, o vírus passou por mutações, ressurgiu em 2003 e ganhou novos contornos com a emergência de diferentes linhagens, como o clado 2.3.4.4 (uma linhagem do vírus H5N1 que se espalhou globalmente e passou a infectar diferentes espécies de aves e mamíferos), responsável pela disseminação global em aves e, mais recentemente, em mamíferos.
Um dos pontos mais preocupantes, segundo Spilki, é o avanço do H5N1 para novas espécies, incluindo bovinos leiteiros nos Estados Unidos e leões-marinhos no litoral do Rio Grande do Sul, onde surtos recentes vêm sendo monitorados. “Cada vez que o vírus entra em uma nova espécie, ele acumula mutações que aumentam suas chances de adaptação. Isso amplia a possibilidade de transmissão mais eficiente para humanos”, explicou.
Apesar do alerta, o pesquisador foi cauteloso ao responder à pergunta central de sua palestra. “Estamos sempre tentando prever o futuro, quase como em uma bola de cristal. Não é possível afirmar se o H5N1 será o causador da próxima pandemia, mas ele tem potencial para isso. E, diante desse cenário, a vigilância genômica e a cooperação internacional tornam-se indispensáveis”, afirmou.
Spilki também chamou a atenção para os impactos econômicos e ambientais da disseminação do vírus, que já levou à suspensão de exportações de aves no Brasil e trouxe desafios para o manejo de carcaças em países como os Estados Unidos. Além disso, destacou que as vacinas convencionais contra influenza não oferecem proteção contra o H5N1, o que aumenta a vulnerabilidade humana.
Para o virologista, a grande lição é que a sociedade precisa estar preparada. “A pergunta não é se teremos uma nova pandemia, mas quando e qual vírus será o protagonista. O que não podemos ter é falta de informação. Precisamos de transparência e troca de dados em tempo real entre países. Esse é o nosso maior instrumento de defesa”, concluiu.
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