
Nas empresas brasileiras, a adoção de inteligência artificial (IA) tem acelerado mudanças em estruturas organizacionais, rotinas de trabalho e processos de tomada de decisão. Estudo da Bain & Company indica que 67% das organizações no país consideram a IA uma prioridade estratégica para 2025 e que cerca de 25% já possuem ao menos um caso de uso implementado, percentual superior aos 12% observados em 2024.
Esse movimento ocorre em paralelo ao surgimento de novas funções como Chief AI Officer (CAIO), especialistas em governança algorítmica e profissionais de observabilidade. Um relatório do World Economic Forum aponta que modelos de linguagem de larga escala (LLMs) estão reconfigurando tarefas e criando perfis profissionais voltados à governança e supervisão de IA.
Ajustes de posicionamento e comunicação
De acordo com Luís Fernando Barbosa, diretor estratégico da agência de publicidade e marketing digital Wholly, o posicionamento passou a integrar as decisões de adaptação organizacional.
"A revolução não está apenas na IA. Está em como você escolhe agir diante dela. A incorporação de IA influencia a forma como empresas organizam informações, constroem narrativas e se relacionam com seus públicos. Esse contexto aumenta a importância de trabalhar o posicionamento de forma clara e consistente", destaca Barbosa.
Adoção com responsabilidade e governança
No campo jurídico, Dr. Renato Opice Blum, advogado e economista, sócio do Opice Blum Advogados, vem sendo convidado para atuar como conselheiro de IA em empresas que buscam integrar inovação e responsabilidade. Ele também é professor em ESPM, Insper e FAAP, em disciplinas relacionadas a direito digital e proteção de dados.
"O conselheiro de IA surge para apoiar lideranças corporativas na integração entre inovação e responsabilidade. Ele atua na orientação para que o avanço tecnológico esteja alinhado a parâmetros jurídicos, éticos e organizacionais", afirma o advogado.
A segurança digital também apresenta crescimento. Relatório da Check Point Research aponta aumento de 21% na média global de tentativas de ataques cibernéticos no segundo trimestre de 2025, impacto que reforça a relevância de monitoramento contínuo e estratégias de resposta.
Atualização em setores tradicionais
No setor automotivo, empresas como Grupo Raven e Grupo Autobras têm revisado processos internos para integrar dados, eficiência operacional e suporte à rede de distribuição. Esses ajustes ocorrem em paralelo à reposição de estoques, desenvolvimento de produtos e comunicação com o mercado.
Comunicação como ordenadora de processos
Para Bruno Vidja, publicitário e diretor de planejamento da Wholly, a clareza informacional contribui para a manutenção da organização durante a transição.
"Quando há transformação no ambiente de negócios, comunicar com clareza o que se faz e por que se faz torna o processo mais compreensível para todos os envolvidos. É isso que buscamos estruturar no trabalho com empresas e profissionais", explica.
Tendências observadas no cenário corporativo
A consolidação da inteligência artificial no ambiente empresarial tem intensificado a necessidade de integração entre tecnologia, governança e comunicação. Estudos que analisam o impacto da IA em estruturas corporativas indicam que o avanço tecnológico exige novos parâmetros de transparência e coordenação interna. Um artigo publicado pela Virtus Interpress sobre inteligência artificial e governança corporativa discute como essas mudanças envolvem revisão de processos decisórios, gestão de dados e clareza institucional na comunicação com diferentes públicos.
Organizações que estruturam procedimentos de transparência e posicionamento fortalecem a compreensão externa de suas iniciativas e aprimoram a coordenação entre áreas internas, especialmente em cenários de transformação contínua.
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