
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, durante audiência de custódia realizada na manhã deste último domingo (23/11), em Brasília, que tentou abrir a tornozeleira eletrônica por causa de um “surto” supostamente provocado pelo uso de medicamentos e negou qualquer intenção de fuga.
As informações são do G1.
A juíza responsável pelo atendimento decidiu manter a prisão preventiva do ex-presidente. De acordo com a ata da audiência, Bolsonaro declarou que estava com “alucinação” e que acreditou haver “alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”.
O documento também registra que ele afirmou “não se lembrar de ter um surto dessa natureza em outra ocasião” e sustentou que o episódio pode ter sido provocado por um medicamento novo, iniciado “a cerca de quatro dias antes dos fatos que levaram à sua prisão”.
A audiência, obrigatória no sistema penal brasileiro mesmo quando a prisão é ordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que a detenção havia sido realizada dentro da legalidade e com respeito aos direitos do preso.
Com isso, Bolsonaro permanece sob custódia na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
STF DECIDE SE REFERENDA OU REVOGA PRISÃO
Nesta segunda-feira (24/11), a Primeira Turma do Supremo julgará se referenda ou revoga a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que decretou a prisão preventiva no sábado (22/11) após a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. A sessão ocorrerá no plenário virtual, das 8h às 20h.
Participam os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Moraes não vota por ser o autor da decisão contestada. Caso a ordem seja confirmada, a prisão preventiva poderá durar por tempo indeterminado, sendo reavaliada a cada 90 dias, conforme a lei.
A medida se soma a determinações adicionais: Bolsonaro terá atendimento médico integral na PF; qualquer visita dependerá de autorização prévia do STF; e visitas já autorizadas — como as dos governadores Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro — foram canceladas.
TENTATIVA DE FUGA E CONTEXTO DA PRISÃO
Bolsonaro foi preso preventivamente por risco concreto de evasão, após o sistema de monitoramento identificar, às 00h07 de sábado, a tentativa de violação do equipamento.
Horas antes, apoiadores haviam se reunido em frente à residência onde ele cumpria prisão domiciliar, em vigília convocada por seu filho.
A Polícia Federal foi acionada imediatamente após o alerta.
CONDENAÇÃO E PRÓXIMOS PASSOS
O ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado. No entanto, a prisão atual não se refere à condenação, já que o prazo para recursos ainda está em curso.
A defesa de Bolsonaro e de outros seis condenados tem até segunda-feira (24/11) para apresentar novos pedidos relativos às penas. Com condenação superior a oito anos, Bolsonaro deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado, o que pode significar a transição direta da prisão preventiva para a prisão por condenação.
A audiência deste domingo encerrou-se por volta das 12h40, momento em que os advogados deixaram a sede da PF.
Até a decisão da Primeira Turma, o ex-presidente permanece detido sob ordem judicial.
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