
A Black Friday permanece como uma das datas mais aguardadas pelo consumidor brasileiro, e em 2025, a expectativa é de ainda mais movimentação no varejo. Uma pesquisa recente do Google indica que 40% dos brasileiros pretendem gastar mais este ano em relação a 2024, enquanto 35% já estão em busca ativa de ofertas. Além disso, 38% planejam adquirir uma quantidade maior de itens, distribuídos, em média, por seis categorias diferentes de produtos. O quadro reforça que, mesmo diante do apelo do evento, a organização financeira é fundamental para evitar exageros.
Nesse cenário, o economista Ricardo de Almeida, diretor financeiro do Cartão de TODOS, alerta que o entusiasmo das promoções pode ser perigoso para quem não se prepara. Conforme ele, a lista de compras é um mecanismo simples que ajuda a garantir escolhas inteligentes, compras conscientes e proteção do orçamento, principalmente em um período marcado por forte estímulo ao consumo.
Lista de compras protege o bolso em meio a tantas ofertas
O volume de promoções e comunicações publicitárias nesta época faz com que o consumidor fique mais vulnerável ao impulso. Almeida enfatiza que partir para as compras sem estrutura aumenta significativamente o risco de perda de controle financeiro.
"A Black Friday é uma avalanche de ofertas, mas, sem lista, o risco é ser levado pela correnteza do impulso", alerta. Para o economista, a falta de organização pode transformar a promessa de economia em um problema real, pois "a chance de transformar economia em endividamento é enorme".
O profissional recomenda que o consumidor estabeleça prioridades de forma clara. "Antes de sair clicando e comprando, defina o que é essencial, organize por nível de urgência e pesquise os preços", destaca. Segundo ele, "a lista é o freio emocional que protege o bolso".
Para definir quais produtos entram na lista de compras, o economista explica que ela deve refletir as verdadeiras necessidades do consumidor, e não apenas seus desejos momentâneos. Almeida orienta que o processo de seleção seja guiado pela reflexão sobre prioridades. "Comece pelos itens de necessidade imediata, depois avalie os de média e baixa prioridade", recomenda.
Ele orienta que o consumidor questione sua própria motivação: "Eu preciso disso agora? Vai me trazer algum benefício concreto ou estou sendo seduzido pelo preço?" Para ele, esse filtro é essencial para evitar arrependimentos e faz parte de um passo a passo cuidadoso para quem quer fazer da Black Friday um momento de economia real: "Classifique, ajuste com o seu orçamento e só então vá às compras".
Estratégias práticas para montar uma lista de compras inteligente
Organizar uma lista eficiente é o primeiro passo para evitar gastos desnecessários e conduzir as compras com foco. A seguir, o economista elenca cinco estratégias práticas para estruturar uma lista realmente útil para a Black Friday:
1) Classificar os itens por categorias (eletrônicos, casa, mercado, beleza, vestuário). Isso facilita a visualização do que é necessidade e evita inserir produtos aleatórios.
2) Criar três níveis de prioridade: urgente, necessária e opcional. Só inclua itens na última categoria se o orçamento permitir.
3) Pesquisar modelos e versões antes da promoção, para não tomar decisões por impulso com base apenas no preço.
4) Incluir o preço médio atual de cada item para facilitar a comparação com valores anunciados durante a Black Friday.
5) Revisar e enxugar a lista antes do evento, retirando produtos que não fazem mais sentido, não se encaixam no orçamento ou entraram por empolgação.
Pagamento: parcelar ou pagar à vista?
Com a ampliação das opções de pagamento no varejo — Pix, carteiras digitais, crédito, débito e parcelamentos —, cresce também a necessidade de analisar qual modelo faz mais sentido para o bolso. Almeida explica que o consumidor deve avaliar sempre os possíveis benefícios antes de decidir.
"Verifique se há desconto para pagamento à vista, via Pix ou boleto. Se o valor for o mesmo, avalie o impacto no seu orçamento e se o parcelamento sem juros pode te beneficiar", orienta. Segundo ele, o problema não está no parcelamento, mas na falta de controle. "Tudo depende de disciplina e controle; o problema não é parcelar, é esquecer que a fatura chega".
Além da lista bem estruturada, Almeida indica práticas essenciais para evitar que o entusiasmo das promoções comprometa o orçamento:
Para o economista, o verdadeiro benefício da Black Friday não está no valor apresentado nas vitrines, mas nas escolhas do consumidor, pois isso dita se a data será de economia ou endividamento. "O consumidor que planeja, compara e respeita o próprio orçamento transforma a promoção em oportunidade, não em armadilha", afirma.
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