
O debate sobre a saúde da mulher 40+ tem se intensificado à medida que cresce a expectativa de vida. Estudo da North American Menopause Society (NAMS) aponta que mais de 80% das mulheres acima de 40 anos relatam sintomas como alterações do sono, irritabilidade, perda de massa muscular e mudanças na textura da pele — fatores que influenciam tanto a saúde quanto a percepção de bem-estar.
Outro estudo, publicado no Journal of Women & Aging, avaliou programas multidisciplinares de acompanhamento feminino e concluiu que intervenções combinadas — abrangendo atividade física, suporte psicológico e rotinas estruturadas de autocuidado — podem melhorar a percepção de qualidade de vida durante o envelhecimento.
A médica Patrícia Olaya (CRM-RJ 01284126), pós-graduada em dermatologia e psiquiatria e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que o envelhecimento feminino precisa ser compreendido "como um processo contínuo, que envolve dimensões físicas, emocionais e sociais". Segundo ela, mudanças hormonais e metabólicas típicas da faixa dos 40 aos 60 anos exigem acompanhamento mais sistemático. Olaya desenvolve protocolos estruturados que combinam avaliação dermatológica, manejo de peso, análise hormonal, rotinas de skincare e suporte psicológico. A proposta, afirma, é evitar que o cuidado estético seja conduzido de forma isolada, priorizando um acompanhamento que considere a mulher de maneira integral.
"Eu acredito que a mulher precisa ser enxergada integralmente. Quando falo em beleza, penso em autoaceitação, autocuidado e na gestão consciente do próprio envelhecimento. Cada fase traz desafios específicos, que devem ser entendidos dentro do conjunto da saúde. Meu objetivo é ajudar essa mulher a atravessar essas etapas com mais equilíbrio e a se sentir bem em qualquer idade".
A literatura científica tem apontado benefícios dessa abordagem integrada. Uma revisão publicada em The Lancet Healthy Longevity analisa o conceito de “envelhecer bem” e destaca que intervenções estéticas associadas a suporte emocional e mudanças de estilo de vida podem contribuir para maior autoconfiança e adaptação às transformações da idade.
Para oferecer continuidade ao acompanhamento — um elemento enfatizado em protocolos que analisam adaptação ao envelhecimento — Olaya estrutura seus programas em períodos de três a seis meses, com participação de nutricionistas, educadores físicos e profissionais de saúde mental. Ela afirma que essa organização permite responder a mudanças progressivas que surgem ao longo das diferentes etapas da vida adulta. Segundo a médica, compreender o envelhecimento como processo favorece decisões preventivas e fortalece a capacidade das mulheres de lidar com as transformações biológicas e emocionais que marcam esse período.
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