
Adotar estratégias de sustentabilidade é uma prioridade crescente para as organizações, mas encontrar profissionais capacitados para colocá-las em prática ainda é um grande desafio. Segundo o Relatório de Tendências Globais 2025 do ManpowerGroup, 91% dos empregadores afirmam não ter os talentos necessários para atingir suas metas sustentáveis. Isso acontece mesmo diante de uma projeção otimista: a transição para uma economia verde pode gerar milhões de empregos até 2030, conforme o Fórum Econômico Mundial.
Esse descompasso entre oferta e demanda de habilidades verdes exigirá uma mudança de postura das empresas, exigindo que elas pensem em planos diferenciados para atrair talentos. Mesmo assim, depender exclusivamente da contratação externa limita as possibilidades; o caminho mais promissor será assumir o protagonismo na formação de pessoas para suprir as necessidades da companhia. Tais demandas são particularmente agudas em setores como produção industrial, TI e operações, em que 57% das habilidades precisarão ser adaptadas, segundo o mesmo relatório.
“As empresas que realmente querem avançar na sustentabilidade precisam investir em programas de upskilling (capacitação) e reskilling (requalificação) em larga escala. Muitas vezes, usando até inteligência artificial para identificar quais colaboradores têm potencial de migrar para funções focadas no meio ambiente”, destaca Polyana Macedo, Gerente Executiva de RPO do ManpowerGroup Brasil.
Um caminho que tem ganho força é a criação de trilhas de aprendizagem específicas, que transformam funcionários de áreas convencionais em especialistas ambientais. Para Polyana, “um exemplo seria a requalificação de engenheiros de produção para atuar em eficiência energética, ou analistas financeiros para lidar com métricas de ESG. A chave é mostrar como as competências já existentes podem ser aplicadas a funções verdes”.
Outra estratégia são os “laboratórios de sustentabilidade”, onde colaboradores testam soluções práticas em escalas reduzidas antes de implementá-las em toda a operação, avaliando o impacto da adesão. A abordagem “mão na massa” acelera o aprendizado e ainda gera ideias aplicáveis em escala real. Uma alternativa são os programas de mentoria reversa, em que jovens com formação em sustentabilidade orientam profissionais com mais experiência, enquanto estes compartilham vivência operacional.
Portanto, ignorar a qualificação interna pode prejudicar a satisfação dos colaboradores e o desenvolvimento da empresa. Em um cenário de escassez de talentos, a resposta pode estar na própria organização. “Quando a empresa valoriza o desenvolvimento das pessoas, é possível ver uma redução na rotatividade e um impacto positivo no employer branding, auxiliando também a atração de talentos. Identificar, capacitar e incentivar quem já faz parte do time é uma estratégia inteligente também para atrair as novas gerações, já conectadas com a sustentabilidade e que podem trazer outras perspectivas”, finaliza a executiva.
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