
A Akio Produtos Alimentícios principal distribuidora de alho roxo em São Paulo e pioneira na industrialização da tapioca no Sudeste, mantém até 31 de outubro, Dia do Saci, o Projeto Folclore Akio, campanha nacional que coloca cards com personagens do folclore brasileiro, histórias e receitas nas embalagens da Tapioca Pouch 560g. Os produtos estão em supermercados, atacarejos, lojas especializadas e no e-commerce. A proposta é usar o preparo da refeição como momento de conversa entre pais, filhos e avós, num cenário em que 52% das famílias brasileiras dizem que a convivência piora quando o uso de telas aumenta, segundo levantamento do Projeto Brief com 1.800 pais, divulgado em dezembro de 2025.
Telas, crianças e a mesa da família
O mesmo levantamento do Projeto Brief mostra que 46% das crianças apresentam comportamentos negativos associados ao uso de telas, como ansiedade (27%) e irritabilidade (25%). Outras 44% reagem com choro, frustração ou agressividade quando o aparelho é desligado. O dado que mais chama atenção, porém, está do lado dos adultos: 56% dos pais admitem que o próprio uso do celular interfere no tempo que passam com os filhos.
A conexão começa cedo. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br, 55% das crianças de 9 e 10 anos já têm celular próprio, e apenas 37% dos pais limitam o tempo de uso dos filhos.
A ciência tem um nome para a interferência dos aparelhos na relação entre pais e filhos: tecnoferência. Um estudo da Université de Montréal publicado em 2024 na revista JAMA Network Open acompanhou mais de 1.300 crianças de 9 a 11 anos. As que percebiam os pais distraídos com dispositivos apresentaram, mais tarde, níveis mais altos de desatenção e hiperatividade.
A refeição é um dos momentos mais afetados. Um estudo publicado na JAMA Pediatrics identificou que 77,6% dos pais norte-americanos usaram algum tipo de mídia durante a última refeição em família. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, no manual #MenosTelas #MaisSaúde, que não haja telas durante as refeições.
"Eu não acho que a tela seja a vilã da história. O problema é quando ela ocupa o único momento do dia em que a família está no mesmo lugar. Se o jantar vira cada um olhando para o seu celular, a gente perde justamente o espaço onde as coisas eram contadas", afirma José Barreto, CEO da Akio.
Histórias que passam de geração em geração
A campanha reúne sete personagens do folclore brasileiro: Saci-pererê, Mula sem Cabeça, Mani, Lobisomem, Iara, Curupira e Boitatá. Cada card traz uma ilustração exclusiva, uma breve história do personagem e uma receita de tapioca inspirada nele. A Tapioca Pouch 560g tem sete sachês individuais de 80g, e a ideia é que cada sachê vire um preparo, uma história e uma conversa à mesa.
O público central são adultos de 25 a 50 anos que cresceram ouvindo essas lendas e hoje têm filhos pequenos. A campanha aposta na transmissão oral, que por gerações levou o folclore de avós para netos, e que depende de um tempo de convivência cada vez mais disputado com as telas.
"Quem tem hoje entre 30 e 50 anos aprendeu quem era o Saci ouvindo alguém mais velho, não lendo num livro didático. Essa transmissão é oral, e oral precisa de gente junta. O card é só um pretexto. O que a gente quer é que alguém leia aquela história em voz alta enquanto a tapioca está na frigideira", diz Barreto.
A escolha da tapioca também tem raiz no folclore. A mandioca, matéria-prima do produto, tem sua própria lenda indígena: a de Mani, menina de cuja sepultura teria nascido a planta — daí, segundo a tradição, o nome "mani-oca", a casa de Mani.
"Tem uma coincidência bonita aí. Quando a criança descobre que aquela massa branca na frigideira tem uma história indígena por trás, a comida deixa de ser só comida. Ela passa a ter origem, e isso muda a forma como a gente se relaciona com o que come", completa o executivo.
Embalagem como ponto de partida para a cozinha afetiva
O Projeto Folclore Akio dá sequência a uma linha de ações da empresa que usa a embalagem como meio de conexão cultural. Em janeiro de 2026, a Akio lançou edições limitadas da Mistura para Tapioca com embalagens inspiradas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, com símbolos como o Cerrado, a arquitetura de Brasília, o carnaval e o pão de queijo. A nova campanha leva essa abordagem para uma ação nacional.
A empresa também desenvolve receitas para consumidores e pequenos empreendedores e promove ações em supermercados com preparo de pratos ao vivo. A proposta é aproximar a indústria da cozinha de casa, com produtos práticos que deixem espaço para o preparo em família.
"Cozinha afetiva não é receita sofisticada. É a tapioca que alguém fazia na sua casa, o cheiro que você reconhece de longe. A indústria de alimentos costuma conversar com o consumidor só sobre preço e praticidade. Eu acho que dá para falar também de memória, e a embalagem é o lugar mais óbvio para começar, porque ela já está dentro da casa das pessoas", afirma Barreto.
Para ele, a campanha não propõe abandonar a tecnologia. "Seria ingênuo dizer para uma família largar o celular. O que dá para fazer é criar um bom motivo para deixá-lo de lado por vinte minutos. Se esse motivo for uma história do Curupira e uma tapioca na frigideira, já valeu".
Ficha da campanha
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